segunda-feira, 8 de março de 2010

O Dia da Mulher no Mês da Mulher

Hoje comemora-se o dia internacional da mulher. Em Angola, o dia é merecedor de um feriado nacional.

Esta não é, contudo, a única curiosidade que, a este respeito, se pode escrever sobre Angola. Aqui, as mulheres não têm apenas um dia que lhes é dedicado. Aqui, as mulheres não recebem apenas um quase forçado "feliz dia da mulher" de uma boca qualquer. Aqui, às mulheres não são ofertadas rosas, flores que estão murchas 363 dias ao ano mas fazem sorrir durante duas semanas.

Neste país, o mês de Março é o mês da mulher. E até nesta questão Angola se mostra um país de contrastes. Em Março, é a mulher quem manda. Continuam a existir os dias do homem às sextas-feiras mas, nesta época do ano, o que elas dizem é para cumprir, afinal de contas, é o seu mês. Mês que, ao lhes ser dedicado, quase parece querer indiciar, aos mais desconfiados, tratar-se de uma compensação pelo facto de os homens terem as suas sextas-feiras, aqueles dias em que não têm hora para chegar nem existem justificações a dar a ninguém.

Neste mês existem dois géneros, atendendo ao alarido imenso que a comunicação social faz sobre a mulher, o seu dia, o seu mês, a emancipação, a igualdade de oportunidades e tudo o mais. Toda a gente fala da mulher. E, no entanto, as angolanas deixam escapar um quase imperceptível lamento, não por não terem recebido flores ou uma singela palavra de amor, mas tão-somente porque as únicas prendas que recebem são as mesmas do resto do ano, nem que seja uma sempre encoberta, frequente, e não denunciada violência doméstica. Mas o reconhecimento da existência da mulher na sociedade parece ser suficiente. E, mesmo assim, levantam-se de manhã, colocam os filhos às costas, os alguidares com 15 quilogramas de peso em cima da cabeça e prosseguem, essas lutadoras natas, de cabeça erguida. Um pouco pelo peso do alguidar, muito pela fibra com que são feitas.



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