quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

(In)segurança em Angola

Ao contrário do que se possa pensar, não vou escrever exaustivamente sobre o atentado ocorrido na última sexta-feira em Cabinda, do qual resultou a morte de três pessoas que seguiam com a comitiva do Togo para disputarem o CAN 2010, organizado por Angola. Disso já toda a gente ouviu falar.

Quando surgem situações destas, os portugueses temem sempre. Temem os que estão em Angola, temem os que para lá vão e temem ainda os familiares daqueles que por terras angolanas têm algum ente querido.
Situações como a que ocorreu chamam à memória uma História não longínqua, mas afastada do pensamento: vivências inacabadas, mudanças repentinas, perdas materiais e humanas e a guerra, porque África sempre faz lembrar guerra, qual palavras sinónimas.

A capital angolana, Luanda, é uma cidade segura. Pelo menos, fora da zona dos "musseques". Certamente que é das capitais mundiais com maior número de polícias por metro quadrado e, apesar de por vezes lhes querermos escapar para não largarmos uns quantos dólares, o certo é que estes conseguem, apenas pela sua presença, tranquilizar o espírito de quem tem o seu dia-a-dia na cidade. Cidade essa, que tem uma mecânica fantástica, com um sistema bizarro, mas que na realidade funciona. Os senhores agentes da autoridade não auferem uma remuneração elevada, mas estão numa tão constante greve de zelo que ao mínimo deslize conseguem chamar a atenção para comportamentos inadequados dos cidadãos (tocar com o carro no passeio ao estacionar é um comportamento claramente inadequado) e resolver a situação na hora, beneficiando ainda a sua remuneração. O Estado gasta menos dinheiro, os polícias têm o dobro da atenção, conseguem aumentar a sua remuneração e os transeuntes e automobilistas têm mais cuidado.

Apesar de pouco conhecer ainda de outras cidades, posso afirmar que, tomando algumas evidentes cautelas e precauções, é perfeitamente possível passear a pé em Luanda. Diria até que em Cabinda é possível passear a pé. Agora, que já assassinaram três seres humanos.

Do resto, pouco fica, salvo a constante associação de Angola às palavras guerra e morte, a ideia de que o país permanece incapaz de se organizar a si mesmo, quanto mais um evento internacional de elevada importância e, por último, a sensação de que responsáveis pelo atentado  de Cabinda foram os Congolenses, que estão ali na fronteira, ou até mesmo os Togoleses, que optaram por viajar por terra numa região onde toda a gente sabe que existem guerrilhas organizadas, que são escassamente combatidas, e cuja solução encontrada para as desmantelar é aconselhar viagens de avião.

6 comentários:

  1. ... e andar de moto, será seguro ?
    e mesmo de carro, não é costume o carjacking como agora está na moda em Portugal ?

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  2. Sempre andei a pé em Luanda, sempre conduzi para qualquer lado e nunca temi nada.
    Tenho muitos amigos por aí e não temo por eles, desde que não façam asneiras, é claro!
    No comodismo do 1º mundo é fácil falar daquilo que não se conhece e dizer as maiores asneiras, como as que temos lido nos últimos dias sobre a segurança em Angola.

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  3. Caro anónimo,

    Andar de mota em Luanda não é inseguro mas tem um perigo adicional, "apenas" pelo seguinte: Como o trânsito é caótico, as estradas estão esburacadas, escasseiam o civismo e o respeito por parte dos automobilistas e verificam-se muitos acidentes, de mota mais facilmente é deitado abaixo por um qualquer condutor irresponsável. Já vi alguns acidentes em Luanda envolvendo motociclos, mas isso também vi em Portugal. Conheço pessoas, caucasianas e negras, que andam de mota na capital angolana e nunca tiveram quaisquer problemas.
    Quanto ao carjacking, segundo sei, não existe em Luanda. A dificuldade não está em roubar o carro mas em conseguir fugir com ele, tendo em conta o trânsito na cidade e a quantidade de polícias que por ela se encontram espalhados.


    Caro André Miguel,

    Também passeio bastante por Luanda, de carro ou a pé, e nunca tive nenhum problema. Admito que das primeiras vezes receei, não de algo ou alguém, mas apenas do desconhecido.
    Quanto à questão da segurança em Angola, parece que estamos de acordo, sendo que o texto procura evidenciar isso mesmo: em Angola, tomando algumas precauções que até se deveriam tomar em qualquer parte do mundo, podemos deslocar-nos tranquilamente sem colocarmos em causa a nossa integridade.

    Cumprimentos,

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  4. Enquanto isso, no nordeste do Brasil, um jacaré atravessou hoje a rua num bairro residencial. E acho que nem sequer foi na passadeira... Contastes, contrastes... =P

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  5. Tu tambem me saíste uma boa jacaré porque voltaste para aí sem dizer nada, nao é? E a minha despedida?

    Beijo

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  6. Um dia faço-te uma festa surpresa para compensar =P *

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